segunda-feira, março 26, 2012

Leituras - O Evengelho segundo Jesus Cristo

Este é um livro muito especial, como ler Saramago é especial. Se tivesse de reduzir ao essencial o que me atrai nos seus livros, teria de mencionar os detalhes surrealistas e simbólicos que ele vai semeando, e a extraordinária sensibilidade que ele revela ao detectar o poder de cada pequena palavra, ou gesto, para emocionar ou ferir. Um homem que assim escreve só pode ser um homem bom.

Interpretações e críticas de melhor qualidade haverá em muitos sítios. Dou só dois conselhos: leiam o livro; e depois de o lerem, releiam o primeiro capítulo (memso que à vol d'oiseau).

Em contraste com os últimos posts referentes a leituras (todos de hoje), foi realmente hoje que acabei de ler "O Evangelho [...]". Deu-me vontade de vir aqui escrever, facto que em si mesmo diz qualquer coisa acerca do próprio livro.

Leituras - The Ego Tunnel

Que lástima não existir uma tradução portuguesa deste livro do filósofo alemão Thomas Metzinger. Trata-se de um volume de divulgação científica, que encontra correspondência no seu livro muito mais formal, Being No One ("Sendo Ninguém"). Comprei os dois de uma assentada e, tendo começado por este último, rapidamente o abandonei e peguei no The Ego Tunnel ("O Túnel do Ego"), que é certamente uma boa introdução para o outro.

Posto isto, resta dizer que é um daqueles livros que altera a nossa visão do mundo, e de nós próprios. É, portanto, um livro extraordinário. Curiosamente, ou talvez não, sem nunca fazer uma colagem ao budismo (o qual é mencionado lateralmente algumas vezes) é possível encontrar enormes ressonâncias entre as análises efectuadas e a doutrina budista.

A não perder. Mesmo.

Leituras - Happiness

Tanto tempo sem escrever sobre as minhas leituras! Até tenho a sensação de que me escapou algum livro pelo meio, mas aqui vai o seguinte para registo: Happiness, de Matthieu Ricard, um livro sobre a felicidade, sendo que o autor, monge budista, é considerado, neurologicamente, o homem mais feliz do mundo. Não é propriamente um livro de auto-ajuda no sentido convencional. É um livro de reflexões e um convite à meditação, com instruções concretas para a sua prática. Leitura de final de Verão? Maldita memória.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Leituras - Memorial do Convento

Foi realmente muito tarde que li o Memorial do Convento do nosso grande Saramago. Ficam-me memórias de momentos de grande sensibilidade do autor. E uma frase que me assombrou, porque ressoou com algo que digo há muitos anos: Todos os dias chegam. Chega o dia do liceu; chega o dia da faculdade; chega o dia da tropa; chega o dia do casamento; chega o dia da paternidade.

Assim, não foi sem surpresa que li esta passagem, para outros não será a mais emblemática, mas é por isso que a arte é uma experiência pessoal:
Sossega, mulher, que o meu dia ainda não chegou, Não sossego, homem, os dias chegam sempre.

Leituras - Os Mestres Zen

Interessante livro de Jacques Brosse que faz um apanhado de um vasto conjunto de Mestres Zen, resumindo sucintamente as suas vidas e os seus pensamentos, que são bastante heterógeneos. Não o recomendo a quem procure uma introdução ao Zen, mas proporcionou-me uma leitura agradável.

Leituras - O Livro da Consciência

Cada livro de António Damásio nos leva a conhecer-nos um pouco melhor. Este livro ficou-me, no entanto, a saber a pouco, uma vez que atormentado (um pouco de drama nunca fez senão bem) pelo "problema difícil" da consciência não consegui encontrar neste livro consolo para as minhas aflições. em era obviamente o seu objectivo - aliás se o fosse estaríamos na presença de um feito histórico para a Humanidade. E no entanto, o meu espírito carecia dessa incursão filosófica, cuja falta (não absoluta - há uma leve referência final) ensombrou injustamente um interessantíssimo livro deste grande cientista, merecedor do reconhecimento e do orgulho dos seus compatriotas.

domingo, maio 29, 2011

Nem Guerra Nem Paz

"Nem Guerra Nem Paz" (Love & Death), com Woody Allen e Diane Keaton, realizado por Woody Allen, maluquices de Woody Allen (como explicar que o Velho Nehamkin seja mais novo que o Jovem Nehamkin?!), problemas existenciais de Woody Allen (a subjectividade é objectiva!). Comédia alucinante que decorre no período das invasões napoleónicas à Rússia, é Woody Allen no seu melhor. Infelizmente é também Woody Allen no melhor da sua malandrice, e fosse a minha memória do filme um pouco mais exacta não teria achado que era boa ideia vermos este filme com o Martim, depois de termos visto Guerra e Paz. Enfim, não vamos deixar todas as novidades para as conversas com os colegas, não é?... (gaita!).

P.S.: Li uma crítica particularmente interessante, na Amazon, de forma que vou transcrever um pouco da mesma (o link para as críticas é http://www.amazon.com/Love-Death-Woody-Allen/product-reviews/0792846095/ref=cm_cr_pr_hist_5?ie=UTF8&showViewpoints=0&filterBy=addFiveStar)

Bring your brain and your funny bone (Jason A. Beyer)

Is this movie funny? Absolutely! [...] But of all the Woodman's films, this one may also be one of the smartest. Yes, it parodies the pre-existentialist novels of Dostoyevsky and Tolstoy (though Tolstoy much more so), but it does it in a way that's intellectually stimulating and VERY faithful to the tradition these writers helped to launch. Allen isn't just parodying this tradition--he's displaying a deep commitment to this tradition as well. [...] Examine the movie closely, and you will find running throughout the themes emphasized by much of the best existentialist writings. [...] This is a rare movie; one that has the power to challenge us intellectually and morally, if only we choose to let it reach us.